Capa
Couro
Corpo
Éter
Meu labirinto
Trans-lúcido
Trans-opaco
Mistura entre o que está fora
E o que escapa para dentro
Corpo estranho que percorre minhas vísceras
Compõe uma estufa de tripas humanas
Ressurge o desejo no calor
Foge para o estômago
Dentro se perde
Na intimidade de meu labirinto visceral
O corpo manchado
De suor
Dentre outros líquidos venosos
Entre veneno, ópio e elixir
Deitado sobre outras vísceras
Vi, será
Trânsito entre querer e ejetar
Músculo sem pele emerge
submerso na superfície de si
Antagônico como laço desatado por nó
Nós que somos nós
cegos
Sem enxergar o vermelho das cordas arteriais
A respiração emaranhada em hábitos
Deposita poeiras em cavidades abdominais
Buracos que se julgam como becos oceânicos
De aquosos rubros revigorados
Que estalam as vísceras enquanto passam
Moem a carne
Arrancam as capas, o couro, a pele
De corpos pré-ocupados com suas próprias vísceras
Enquanto as sudoríparas produzem seus excrementos
Suor evaporado
Odor sem eternidade
Éter
Permanece somente o instante sem estado
A-quaso
Ar-gasoso
a-solido
Insólitos como a tenra terra
Em duros grãos aquecidos pelo sol
Novamente repouso sobre quentes vísceras
Sem saber o odor das glândulas
Retardo o toque para imaginar os cheiros
domingo, 28 de novembro de 2010
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