Capa
Couro
Corpo
Éter
Meu labirinto
Trans-lúcido
Trans-opaco
Mistura entre o que está fora
E o que escapa para dentro
Corpo estranho que percorre minhas vísceras
Compõe uma estufa de tripas humanas
Ressurge o desejo no calor
Foge para o estômago
Dentro se perde
Na intimidade de meu labirinto visceral
O corpo manchado
De suor
Dentre outros líquidos venosos
Entre veneno, ópio e elixir
Deitado sobre outras vísceras
Vi, será
Trânsito entre querer e ejetar
Músculo sem pele emerge
submerso na superfície de si
Antagônico como laço desatado por nó
Nós que somos nós
cegos
Sem enxergar o vermelho das cordas arteriais
A respiração emaranhada em hábitos
Deposita poeiras em cavidades abdominais
Buracos que se julgam como becos oceânicos
De aquosos rubros revigorados
Que estalam as vísceras enquanto passam
Moem a carne
Arrancam as capas, o couro, a pele
De corpos pré-ocupados com suas próprias vísceras
Enquanto as sudoríparas produzem seus excrementos
Suor evaporado
Odor sem eternidade
Éter
Permanece somente o instante sem estado
A-quaso
Ar-gasoso
a-solido
Insólitos como a tenra terra
Em duros grãos aquecidos pelo sol
Novamente repouso sobre quentes vísceras
Sem saber o odor das glândulas
Retardo o toque para imaginar os cheiros
domingo, 28 de novembro de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
SEM TÍTULO
Facínora que escancara e parte
Rasga o prazer estampado em estandarte
A vida parida em gozo sentido no peito
Deixa-me partida em desejante leito
Minhas entranhas dilaceradas a pó
Investiga-me sem interesse e sem dó
Penetra em fuga nas minhas carícias
Entranhas manchadas por tua malícia
Rasga o prazer estampado em estandarte
A vida parida em gozo sentido no peito
Deixa-me partida em desejante leito
Minhas entranhas dilaceradas a pó
Investiga-me sem interesse e sem dó
Penetra em fuga nas minhas carícias
Entranhas manchadas por tua malícia
Aforismos
O corpo penumbra à sombra de uma perna esticada sobre sua pele.
Desejo, verbo deserto que anseia outro corpo-miragem.
Desejo, verbo deserto que anseia outro corpo-miragem.
domingo, 10 de maio de 2009
BARROCO DECADENTE
BARRACO BARROCO
Chão não cimentado
Cortinas de babados
Estilo rócocô
Venda de roca, coca e cocar
Roça e barraca na rocinha
Batuque barroco de barraco tropical
coca, coça, roca, roça e roc roll
Chão não cimentado
Cortinas de babados
Estilo rócocô
Venda de roca, coca e cocar
Roça e barraca na rocinha
Batuque barroco de barraco tropical
coca, coça, roca, roça e roc roll
TURVA POÉTICA
NADA
No tanto enquanto é tempo
De tento e remendo
Avesso do espaço
Tão raso e deposto
Em deposito de nada
Algodão, neve, nuvem
Branco
EUTEMPESTADE
Rajadas de vento levam meu corpo
Perfuram nuvens e pulmões
A chuva cai
Os ares fogem
Há tempestade em mim e corro exasperada
As águas caídas do céu
Invadem-me e fazem-me leito de rio
Água e leite para dar de beber
Peito e leito a um bebê ou boca sedenta
A água deixa prenhes os pulmões esvaziados de ar
Minha subjetividade se dissolve em tórax repleto de líquido
Ares liquefeitos habitam em mim
Tórax e rio, onde todas as dores são subjetivas
Ainda que as águas corram por entre córregos de objetiva direção
O rio nasce no leito e deságua sem destino
Esvaziada embaralho-me no fundo de uma crepuscular imensidão
Rio extravasado em seu curso
Estraçalhada em carne perdida da própria alma
Pedaço de mim em leito
E outros pedaços sem destino
PÓS
Contemporaneidade
Com o tempo e a idade
Vira moderna
POESIA CONCRETA
concreto
linha __________________________reta crê
muro
asfalto
paralelepípedo
calçada
tijolo
cimento
areia
água
Dissolveu as palavras
UMBILICAL
Do umbigo
Do one big
ambíguo
Uns
No tanto enquanto é tempo
De tento e remendo
Avesso do espaço
Tão raso e deposto
Em deposito de nada
Algodão, neve, nuvem
Branco
EUTEMPESTADE
Rajadas de vento levam meu corpo
Perfuram nuvens e pulmões
A chuva cai
Os ares fogem
Há tempestade em mim e corro exasperada
As águas caídas do céu
Invadem-me e fazem-me leito de rio
Água e leite para dar de beber
Peito e leito a um bebê ou boca sedenta
A água deixa prenhes os pulmões esvaziados de ar
Minha subjetividade se dissolve em tórax repleto de líquido
Ares liquefeitos habitam em mim
Tórax e rio, onde todas as dores são subjetivas
Ainda que as águas corram por entre córregos de objetiva direção
O rio nasce no leito e deságua sem destino
Esvaziada embaralho-me no fundo de uma crepuscular imensidão
Rio extravasado em seu curso
Estraçalhada em carne perdida da própria alma
Pedaço de mim em leito
E outros pedaços sem destino
PÓS
Contemporaneidade
Com o tempo e a idade
Vira moderna
POESIA CONCRETA
concreto
linha __________________________reta crê
muro
asfalto
paralelepípedo
calçada
tijolo
cimento
areia
água
Dissolveu as palavras
UMBILICAL
Do umbigo
Do one big
ambíguo
Uns
POEMILÍTICO:poemas políticos
JOANA D’ARC
Em quermesses de anjos somente os tolos sanam revogados
Insista em estar com naus à frente do tempo
Enquanto outros riem com as mãos sobre a cabeça de
crianças e homens infantes coagidos pelo medo do pecado
Cruzes arrancando votos em corpos de fracos
Até as Pipas arrependidas se movem com o vento
Voando no tempo que nunca se arrepende por não poder regressar
Insisto que não se cales em igual andança
Em iguarias repetidas de atos covardes e arrependidos
Precipite acontecimentos periféricos de tenaz alcance
Seja odiado por adictos em dia de ação de graças
Que vestem a mesma bata sacralizada pelo farrapo da miséria
No dia em que o ferro feriu aquele que tocou a medusa e a magia
Em atos julgado sacrilégio pelos que se dizem o juízo de Deus
Atento insciente!
Não seja displicente confundindo o banquete de fel com o suco das flores
O sangue e o corpo de cristo posto sobre a mesa forrada com toalha branca
A mesma brancura do lobo em pele de cordeiro
Em noites decididas a fazer da verdade falácias queimadas
Logo o sangue vira água e corante
Vermelho do mesmo urucum dos índios manchados de sangue por mãos jesuítas
Os mesmos de outrora que atearam fogo na cosmogonia da magia
Para que restasse apenas o corpo do pecado
O mesmos que cativam miseráveis e fiéis
Que nos fizeram crer na inquisição como auto-de-fé
Em suas liturgias entoadas por gritos de inocentes
Cremos que a magia persiste no cosmo
A fogueira só antecipa a volatilização da matéria
O ritual alquimico na junção com o fogo
Desmascarando a quermesse de anjos falsos
D’arcanjos feitos pelo ser revel
Principio da cosmogonia universal
GRITO DA AFASIA
Guerra de Paz anunciada
Natas de indigentes confabulados
Entes preenchem um submundo esmaltado
Gente de ares azedos
Ketos mobilizados em Saravejo
Isauras confundidas com Isabeis
Bocas amordaçadas vigiadas por capitéis
Prata queimada e seringueiro morto em matagal
Guerra de paz e paz de guerra banal
Paz sem guerra
Sangrenta terra
Homens sufocados de gás
Bombas no Brás
Pomba branca morta
Bomba atômica explode a aorta
Atônitos pela violência
Afasia moral e injustiça fatal
Povos em temor
Revolver com silenciador
Timor em temor leste
Testemunhas cegas e pestes
Bombas silenciosas
Verdade calada
Morte velada
Em quermesses de anjos somente os tolos sanam revogados
Insista em estar com naus à frente do tempo
Enquanto outros riem com as mãos sobre a cabeça de
crianças e homens infantes coagidos pelo medo do pecado
Cruzes arrancando votos em corpos de fracos
Até as Pipas arrependidas se movem com o vento
Voando no tempo que nunca se arrepende por não poder regressar
Insisto que não se cales em igual andança
Em iguarias repetidas de atos covardes e arrependidos
Precipite acontecimentos periféricos de tenaz alcance
Seja odiado por adictos em dia de ação de graças
Que vestem a mesma bata sacralizada pelo farrapo da miséria
No dia em que o ferro feriu aquele que tocou a medusa e a magia
Em atos julgado sacrilégio pelos que se dizem o juízo de Deus
Atento insciente!
Não seja displicente confundindo o banquete de fel com o suco das flores
O sangue e o corpo de cristo posto sobre a mesa forrada com toalha branca
A mesma brancura do lobo em pele de cordeiro
Em noites decididas a fazer da verdade falácias queimadas
Logo o sangue vira água e corante
Vermelho do mesmo urucum dos índios manchados de sangue por mãos jesuítas
Os mesmos de outrora que atearam fogo na cosmogonia da magia
Para que restasse apenas o corpo do pecado
O mesmos que cativam miseráveis e fiéis
Que nos fizeram crer na inquisição como auto-de-fé
Em suas liturgias entoadas por gritos de inocentes
Cremos que a magia persiste no cosmo
A fogueira só antecipa a volatilização da matéria
O ritual alquimico na junção com o fogo
Desmascarando a quermesse de anjos falsos
D’arcanjos feitos pelo ser revel
Principio da cosmogonia universal
GRITO DA AFASIA
Guerra de Paz anunciada
Natas de indigentes confabulados
Entes preenchem um submundo esmaltado
Gente de ares azedos
Ketos mobilizados em Saravejo
Isauras confundidas com Isabeis
Bocas amordaçadas vigiadas por capitéis
Prata queimada e seringueiro morto em matagal
Guerra de paz e paz de guerra banal
Paz sem guerra
Sangrenta terra
Homens sufocados de gás
Bombas no Brás
Pomba branca morta
Bomba atômica explode a aorta
Atônitos pela violência
Afasia moral e injustiça fatal
Povos em temor
Revolver com silenciador
Timor em temor leste
Testemunhas cegas e pestes
Bombas silenciosas
Verdade calada
Morte velada
DESIDERO ERGO SUM
PULSO
A espera e a corrida
Ardente em seu pressagio
Andarilho dos impulsos
frêmitos
dentro
escancarados
O impávido colosso nos teus ossos
Me encontro nas terras vermelhas de sua carne
Em pulsos malditos
Em tantas ternuras
Dissidente de um remendo de corpos costurados
Trêmulos na superfície do instante
Pulsos que se partem
Veias correndo multiplicando os vasos
Liquido caminho bordô
Verdades consumidas em mentiras que bordo
Meu sangue escorrendo em outras veias
Tantos corpos a sangrar
Quantas veias a seguir
Cura que é a loucura em terras não habitadas
Insisto no vale de nuvens dissolvidas
Vivendo o dia em noites mortas
No instante desfaço
Percorro em cursos de rios vermelhos
Língua sangue cheiros
A desbravar outros pulsos
Parto
Corto
Sangro
DOBRAS
Descubra as dobras do meu corpo
Permito que investigue meus traços
A linha que sai do pescoço
e que corre lateralmente pelo braço
Ou a linha que vai das costelas e cai sobre a coxa
contornando a minha cintura
Contornos que se esvaecem
em linhas que se dissolvem
Como pontos em reticencias
Faz vacilar meu eu
A minha nuca ao seu umbigo
O meu mamilo à sua boca
Uma unica linha
Já estamos emaranhados
Envolvidos por uma trama de linhas
que logo se dissolvem em reticencias
E tornam insustentaveis qualquer palavra sobre uma linha
Permito que se dobre sobre o meu corpo
E me cubra com sua perna e costas
Descubra nossas linhas
Experiemente desenha-las com os fios de meu cabelo
Ainda que se tracem tortas
Ou apenas imagine o percurso
como ela pode unir nossos figados ou perfurar o seu olho
e atravessar meu peito, á depender da disposição dos corpos
Me cubra com o seu corpo novamente
Dobre-se em mim
A sermos um desdobramento de um dobrar-se no outro
Deslocando meu eu
Sendo nós
Não sendo ninguém
Sendo desejo
o que se põe na dobra entre eu e você
ROCHA EMBRIAGADA
Na dureza de uma pedra embriagada poros são escancarados
Grutas são desveladas
em rochas perfuradas pelo roçar de águas ásperas
Inebriadas pelo simples prazer de molhar
Na imundice do encontro a água impura lava e deixa bêbado o rochedo
Todavia não há água
Talvez um esgoto vazando por frestas que rompem como linhas de fuga incansáveis
Escorrendo leite e sangue no peito de uma pedra parida
Sangrando as palavras alheias e as chagas de um mundo orgástico
Não há água porque estamos no deserto
Há apenas a miragem de um oásis imundo
Á espreita de um animal que deleite-se ao saciar sua sede
E assim possa devolver a pureza a uma água de esgoto
O sangue matando a sede de uma garganta sem traquéia
Estamos no deserto
Não há água nem sangue
Não há pedras nem esgoto
Há somente o desejo
Sentido na carne do vento que move as areias do deserto
CÂMERA TURVA
Apruma-te e perceba o quanto o tempo vai passando
Sem que você não me veja em dentros intimamente
Eu a espera de um retoque seu
Ou de algo que o valha
Desapercebidamente vou sumindo de sua vida
E quanto menos espera
parto
Sem deixar rastro
Nem retrato em nenhum fundo de gaveta
Só restos de imagens partidas
Produzidas por encontros apartados
Breve te desencontro como uma fotografia velha
E quero ver-te como Imagem obliterada
De um filme não revelado de nossa câmera omissa
Lacuna em meio ao silencio do cinematógrafo
A espera e a corrida
Ardente em seu pressagio
Andarilho dos impulsos
frêmitos
dentro
escancarados
O impávido colosso nos teus ossos
Me encontro nas terras vermelhas de sua carne
Em pulsos malditos
Em tantas ternuras
Dissidente de um remendo de corpos costurados
Trêmulos na superfície do instante
Pulsos que se partem
Veias correndo multiplicando os vasos
Liquido caminho bordô
Verdades consumidas em mentiras que bordo
Meu sangue escorrendo em outras veias
Tantos corpos a sangrar
Quantas veias a seguir
Cura que é a loucura em terras não habitadas
Insisto no vale de nuvens dissolvidas
Vivendo o dia em noites mortas
No instante desfaço
Percorro em cursos de rios vermelhos
Língua sangue cheiros
A desbravar outros pulsos
Parto
Corto
Sangro
DOBRAS
Descubra as dobras do meu corpo
Permito que investigue meus traços
A linha que sai do pescoço
e que corre lateralmente pelo braço
Ou a linha que vai das costelas e cai sobre a coxa
contornando a minha cintura
Contornos que se esvaecem
em linhas que se dissolvem
Como pontos em reticencias
Faz vacilar meu eu
A minha nuca ao seu umbigo
O meu mamilo à sua boca
Uma unica linha
Já estamos emaranhados
Envolvidos por uma trama de linhas
que logo se dissolvem em reticencias
E tornam insustentaveis qualquer palavra sobre uma linha
Permito que se dobre sobre o meu corpo
E me cubra com sua perna e costas
Descubra nossas linhas
Experiemente desenha-las com os fios de meu cabelo
Ainda que se tracem tortas
Ou apenas imagine o percurso
como ela pode unir nossos figados ou perfurar o seu olho
e atravessar meu peito, á depender da disposição dos corpos
Me cubra com o seu corpo novamente
Dobre-se em mim
A sermos um desdobramento de um dobrar-se no outro
Deslocando meu eu
Sendo nós
Não sendo ninguém
Sendo desejo
o que se põe na dobra entre eu e você
ROCHA EMBRIAGADA
Na dureza de uma pedra embriagada poros são escancarados
Grutas são desveladas
em rochas perfuradas pelo roçar de águas ásperas
Inebriadas pelo simples prazer de molhar
Na imundice do encontro a água impura lava e deixa bêbado o rochedo
Todavia não há água
Talvez um esgoto vazando por frestas que rompem como linhas de fuga incansáveis
Escorrendo leite e sangue no peito de uma pedra parida
Sangrando as palavras alheias e as chagas de um mundo orgástico
Não há água porque estamos no deserto
Há apenas a miragem de um oásis imundo
Á espreita de um animal que deleite-se ao saciar sua sede
E assim possa devolver a pureza a uma água de esgoto
O sangue matando a sede de uma garganta sem traquéia
Estamos no deserto
Não há água nem sangue
Não há pedras nem esgoto
Há somente o desejo
Sentido na carne do vento que move as areias do deserto
CÂMERA TURVA
Apruma-te e perceba o quanto o tempo vai passando
Sem que você não me veja em dentros intimamente
Eu a espera de um retoque seu
Ou de algo que o valha
Desapercebidamente vou sumindo de sua vida
E quanto menos espera
parto
Sem deixar rastro
Nem retrato em nenhum fundo de gaveta
Só restos de imagens partidas
Produzidas por encontros apartados
Breve te desencontro como uma fotografia velha
E quero ver-te como Imagem obliterada
De um filme não revelado de nossa câmera omissa
Lacuna em meio ao silencio do cinematógrafo
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