JOANA D’ARC
Em quermesses de anjos somente os tolos sanam revogados
Insista em estar com naus à frente do tempo
Enquanto outros riem com as mãos sobre a cabeça de
crianças e homens infantes coagidos pelo medo do pecado
Cruzes arrancando votos em corpos de fracos
Até as Pipas arrependidas se movem com o vento
Voando no tempo que nunca se arrepende por não poder regressar
Insisto que não se cales em igual andança
Em iguarias repetidas de atos covardes e arrependidos
Precipite acontecimentos periféricos de tenaz alcance
Seja odiado por adictos em dia de ação de graças
Que vestem a mesma bata sacralizada pelo farrapo da miséria
No dia em que o ferro feriu aquele que tocou a medusa e a magia
Em atos julgado sacrilégio pelos que se dizem o juízo de Deus
Atento insciente!
Não seja displicente confundindo o banquete de fel com o suco das flores
O sangue e o corpo de cristo posto sobre a mesa forrada com toalha branca
A mesma brancura do lobo em pele de cordeiro
Em noites decididas a fazer da verdade falácias queimadas
Logo o sangue vira água e corante
Vermelho do mesmo urucum dos índios manchados de sangue por mãos jesuítas
Os mesmos de outrora que atearam fogo na cosmogonia da magia
Para que restasse apenas o corpo do pecado
O mesmos que cativam miseráveis e fiéis
Que nos fizeram crer na inquisição como auto-de-fé
Em suas liturgias entoadas por gritos de inocentes
Cremos que a magia persiste no cosmo
A fogueira só antecipa a volatilização da matéria
O ritual alquimico na junção com o fogo
Desmascarando a quermesse de anjos falsos
D’arcanjos feitos pelo ser revel
Principio da cosmogonia universal
GRITO DA AFASIA
Guerra de Paz anunciada
Natas de indigentes confabulados
Entes preenchem um submundo esmaltado
Gente de ares azedos
Ketos mobilizados em Saravejo
Isauras confundidas com Isabeis
Bocas amordaçadas vigiadas por capitéis
Prata queimada e seringueiro morto em matagal
Guerra de paz e paz de guerra banal
Paz sem guerra
Sangrenta terra
Homens sufocados de gás
Bombas no Brás
Pomba branca morta
Bomba atômica explode a aorta
Atônitos pela violência
Afasia moral e injustiça fatal
Povos em temor
Revolver com silenciador
Timor em temor leste
Testemunhas cegas e pestes
Bombas silenciosas
Verdade calada
Morte velada
domingo, 10 de maio de 2009
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