domingo, 10 de maio de 2009

TURVA POÉTICA

NADA
No tanto enquanto é tempo
De tento e remendo
Avesso do espaço
Tão raso e deposto
Em deposito de nada
Algodão, neve, nuvem
Branco

EUTEMPESTADE
Rajadas de vento levam meu corpo
Perfuram nuvens e pulmões
A chuva cai
Os ares fogem
Há tempestade em mim e corro exasperada

As águas caídas do céu
Invadem-me e fazem-me leito de rio
Água e leite para dar de beber
Peito e leito a um bebê ou boca sedenta

A água deixa prenhes os pulmões esvaziados de ar
Minha subjetividade se dissolve em tórax repleto de líquido
Ares liquefeitos habitam em mim
Tórax e rio, onde todas as dores são subjetivas
Ainda que as águas corram por entre córregos de objetiva direção
O rio nasce no leito e deságua sem destino
Esvaziada embaralho-me no fundo de uma crepuscular imensidão
Rio extravasado em seu curso
Estraçalhada em carne perdida da própria alma
Pedaço de mim em leito
E outros pedaços sem destino

PÓS
Contemporaneidade
Com o tempo e a idade
Vira moderna

POESIA CONCRETA
concreto
linha __________________________reta crê

muro
asfalto
paralelepípedo
calçada
tijolo
cimento
areia
água
Dissolveu as palavras

UMBILICAL
Do umbigo
Do one big
ambíguo
Uns

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